terça-feira, 13 de setembro de 2011

Fazer faculdade no Brasil pode aumentar salário em mais de 150%, diz OCDE

Investir em uma formação de ensino superior resulta em ganhos futuros. A conclusão faz parte de relatório divulgado hoje (13) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo o documento, no Brasil, ter curso superior resulta em um aumento de 156% nos rendimentos. É o mais alto índice entre todos os 30 países pesquisados.

O estudo aponta que, nos países analisados, em média, um indivíduo que concluiu a educação superior recebe pelo menos 50% a mais do que uma pessoa com ensino médio concluído.

De acordo com a OCDE, no Brasil, 68,2% dos indivíduos que completaram a universidade ou um programa avançado de pesquisa ganham duas vezes mais que a média de um trabalhador. O estudo aponta, ainda, que 30,1% dos brasileiros entre 15 e 19 anos não estão estudando e que, desses, 16,1% estão empregados, 4,3% estão desempregados e 9,7% não estão na força de trabalho.

A população brasileira de 15 a 29 anos e com mais estudo é a que tem menor probabilidade de estar desempregada. Entre a população dessa faixa etária que está fora do sistema educacional, 6,2% dos graduados da educação superior estão desempregados. Na mesma situação, estão 10,2% dos jovens que concluíram o ensino médio e 5,58% dos que não concluíram esse nível de ensino.

A falta de qualificação de nível médio é, de acordo com o estudo, “um sério impedimento para encontrar emprego”. Jovens que não concluem o ensino médio e que não estão estudando estão 21 pontos percentuais menos propensos a encontrar um emprego.

A OCDE avalia que há um “alto nível de vulnerabilidade” na educação brasileira, principalmente entre os estudantes com 15 anos de idade. Cerca de 50% deles apresenta baixa pontuação em leitura. Entre os países que participaram do estudo, a média é 19%.
 
Além disso, o risco de obter essa pontuação baixa é uma vez e meia maior para estudantes com desvantagem de origem socioeconômica; 1,3 para os meninos em relação às meninas; e 1,3 para estudantes cujos pais têm baixo nível de escolaridade.

O relatório aponta também que, entre 2000 e 2008, o Brasil foi o país que mais aumentou os gastos por aluno da educação primária até o segundo ciclo da educação secundária (ensino médio), equivalente a uma elevação de 121%.

“O mundo reconhece que o Brasil fez, na última década, o maior esforço de investimento na educação básica entre todos os países avaliados [pela OCDE]”, comemorou o ministro da Educação, Fernando Haddad, após participar da abertura de um congresso internacional sobre educação, ocasião em que comentou o relatório.

No entanto, a OCDE disse também que o total do produto nacional investido pelo Brasil em educação continua abaixo da meta da organização. No Brasil, o percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado à educação cresceu 1,8 ponto percentual, passando de 3,5%, em 2000, para 5,3%, em 2008. A média da OCDE ficou em 5,9% em 2008. Para Haddad, se o país mantiver “o passo dos investimentos”, conseguirá alcançar o percentual dos países ricos.

Alunos indisciplinados, mas sem apoio da família

Vou usar um exemplo muito elucidativo de um bebê que se recuse a dormir no berço e acaba atrapalhando muito a sua vida, a dos seus pais e dos outros que estiverem ao redor. Um bebê com dias de nascido mamou? Arrotou? Tem que dormir. Se a mãe, ou substituta, deixa-o no colo até adormecer, ele aprende que lugar de dormir é no colo. Quando a mãe põe o bebê na caminha, berço, onde for ele chora. Então a mãe pega de volta no colo até dormir. O que o bebê aprendeu? Que lugar de dormir é no colo e berço não é lugar para ficar. Para o bebê é mais gostoso ficar no colo do que no berço. Ele quer o mais gostoso, pois assim aprendeu, e não o mais adequado que é dormir. Quando o bebê dorme no berço seu sono é mais tranqüilo, sem movimentações nem sacolejos, portanto mais fisiológico, que é o que ele precisa. Acorda melhor, pois ele desperta antes. No colo ele é acordado sem se despertar, portanto o sono é interrompido.
O bebê e a mãe terão que ser re-educados para que todos possam viver melhores. O bebê não é indisciplinado. Ele aprendeu a dormir no colo. Os pais é que são indisciplinados de ensinarem a dormir no colo e depois quererem que ele durma sozinho. Se ele fosse para a escola ainda bebê, teria que ter um colo para dormir, pois não saberia dormir sozinho. Uma criança depender dos outros para dormir, quando o sono fisiológico é espontâneo, vem sozinho, basta ficar quietinho? Ele passa o dia todo irritado, querendo dormir e não conseguindo. Na escola não há vovós, babás, ou outros “coleiros” para a hora que o beber estiver com sono.
Pais que não exigem respeito dos seus filhos ensinam a eles que autoridades não precisam ser respeitadas e muito menos os professores que lhes são chatos diretos. Chatos porque não os deixam fazer o que quiserem e na hora que tiverem vontade.
Pais que não ensinam aos filhos os sentimentos de gratidão, de pedir permissão, de pedir favor não aprendem a necessária cordialidade que magicamente movimentam as pessoas: “com licença”, ,”por favor,” e “obrigado”.
Pais que não cobram dos filhos as suas obrigações caseiras não vêem motivo para ter que estudar mesmo que seja por obrigação.
Com estas três atitudes, os pais financiam a ignorância e não o aprendizado, além de se tornarem indisciplinados e arrogantes. Por que iria eles respeitar os professores? Estes são os primeiros a terem que ensinar o que os pais não ensinaram, inclusive como se comportar na escola. A escola não pode nem deve se submeter às indisciplinas dos seus alunos, pois ela é a segunda oportunidade para educar estes alunos.
É quase natural que os alunos se rebelem contra a escola, como rebelariam contra qualquer outra regra ou norma que tivessem que cumprir seja onde for: no trabalho, no clube, no casamento, na grande família, com os próprios filhos etc.
O que a escola poderia fazer é formar uma parceria com os pais, através de uma convocação para que estes fossem orientados a cobrarem resultados dos seus filhos em vez de ficarem mimando e querendo adaptar as escolas às inadequações dos seus filhos.    
Assim como os pais ensinam o recém-nascido que o berço não é lugar para se ficar e dormir tem que ser no colo deles, são os pais que ensinam que escola não é lugar para os filhos aprenderem e que os professores não merecem ser respeitados nem obedecidos. Dificilmente um aluno vai se tornar disciplinado somente pelo esforço dos professores e, pior ainda, se os pais reforçam a indisciplina em casa.
(Içame Tiba)
 Será que Içame Tiba está certo com essa fala dele, com uma sociedade que temos hoje?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação"

Com uma mensalidade de até R$ 2.140 mil e recusando a matrícula de meninas, o Colégio São Bento, na capital fluminense, ficou pela quarta vez na primeira colocação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova é aplicada pelo Ministério da Educação e avalia o desempenho de estudantes da rede pública e privada em todo o país.
Administrado por monges beneditinos, o colégio ficou cerca de 300 pontos à frente do último colocado no estado - uma escola pública. A Supervisão Pedagógica atribui o bom resultado ao ambiente de ensino "com excelente professores" e à dedicação dos alunos, que têm aulas entre às 7h30 e às 16h30, durante a semana e, aos sábados pela manhã, longe de meninas.
No entanto, a receita de sucesso do São Bento, que só aceitou professoras na escola a partir da década de 1960, gera polêmica. Para a professora da Universidade de São Paulo (USP), Cláudia Vianna, especialista em gênero e educação, "não é possível desenvolver a personalidade integral do aluno onde há segregação". Para ela, o método do São Bento remete ao século XIX.
"É muito complicado dizer que a segregação garante qualidade. Vivemos num mundo misto que, aliás, mostra que as meninas têm mais sucesso que os meninos. Que desenvolvimento é esse que só dá certo quando eu separo? Qual a mensagem que você passa? Como se propõe a prepará-los para o mundo que é misto? Que principio é esse que não trabalha com o heterogêneo?", questionou.
ENEM 2010: ESCOLAS EM DESTAQUE
A supervisora do São Bento, a professora Maria Eliza Penna Firme Pedrosa disse que aceitar meninas significaria alterar a identidade do colégio e isso não está nos planos. "Os alunos e os pais estão satisfeitos. Os meninos acham o ambiente confortável e não identificamos prejuízo nenhum, já que os rapazes podem conviver com as meninas na sociedade".
Os alunos também não reclamam da jornada de estudos, da proibição do uso de adornos como piercings e acreditam que à dedicação os levará para as universidade públicas, como é o caso do estudante de odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Maroun. Para ele, o São Bento ofereceu uma boa educação, com forte preocupação no caráter do aluno.
"Claro que as mulheres distraem um pouco os homens", declarou. "Se você tem uma namorada no colégio, fica com ela no recreio, vai para aula pensando nela, normal para o ser humano. Mas o colégio não tendo isso, ele [o aluno] fica mais focado. Isso é positivo porque você pode ter contato com as garotas fora do colégio, no clube ou na faculdade".
O Colégio São Bento funciona há mais de 150 anos e já teve entre seus alunos os compositores Heitor Villa-Lobos, Pinxinguinha e Noel Rosa, o teatrólogo João Procópio Ferreira, o jornalista Paulo Francis, e o escritor e humorista Jô Soares.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mulheres conquistão a sua independência

Dependência financeira não justifica mais a permanência de mulheres violentadas com maridos agressores, aponta nova pesquisa da Lei Maria da Penha (05/08/2011).

Segundo os dados, que registram os últimos cinco anos de aplicação da Lei, 59% das mulheres atendidas declararam não depender financeiramente do agressor.
A recente divulgação de novos dados da Lei Maria da Penha deve mudar a opinião de quem acredita que o fator econômico é o principal motivo da permanência de mulheres violentadas com o cônjuge agressor. A pesquisa, que também mostra que em mais de 70% dos casos o agressor é também cônjuge, revela que 59% das mulheres atendidas pela Central de Atendimento à Mulher (Disque 180) não dependem financeiramente do agressor.
Para Karina Moura, integrante do coletivo de mulheres Aqualtune e do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, isso prova que a antiga justificativa da permanência já não pode ser usada mais. “Esses números mostram que a mulher passa também por uma dependência emocional muito grande, principalmente por conta do papel que é colocado para ela na sociedade, o que faz com que ela aceite a violência”, afirma. Além disso, Moura enfatiza que dessa forma o rompimento é maior, já que a dependência afetiva é mais complicada de se quebrar.
Os números divulgados revelam, também, o recorte de cor/raça das agressões. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, 46% das mulheres que entraram em contato com a Central são pardas. Além disso, a pesquisa mostra que quase 90% das denúncias são feitas pela própria vítima e que em 65% das agressões o filho presencia a violência, sendo agredido junto com a mãe em 20% dos casos.